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  • Desastre em Mariana: Quem são os culpados?


    Autor: Rodrigo Kersting, Tiago Luis Haus, Andrea Pesch

    Considerado o maior desastre ambiental causado pelo homem no Brasil, o rompimento da barragem denominada Fundão, pertencente à mineradora Samarco e às acionistas Vale e BHP Billiton, dispersou cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro em diversos subdistritos dos municípios mineiros de Mariana e Barra Longa.

    A lama dispersada, composta essencialmente por sílica, material inerte, e óxido de ferro, apresenta baixa toxidade à vida humana, mas em contrapartida a fauna e a flora sofrem os principais impactos negativos, refletidos posteriormente, em danos econômicos e sociais. Próximo à barragem, a enxurrada de lama soterrou nascentes e matas ciliares que só serão recompostas caso esse material seja removido ou recoberto com solo fértil, em um processo moroso de reconstituição ambiental. Já nas drenagens pertencentes à bacia do Rio Doce o estrago se propaga por quilômetros, chegando a costa brasileira. Os sedimentos que compõem a lama, em seu trajeto até o oceano, depositam-se em regiões de correntes mais fracas, ocasionando a diminuição da calha dos rios, assoreamentos e desvios de seus cursos.

    As causas da tragédia ainda estão sendo investigadas e a sociedade ainda esta carente de informações sobre os reais motivos que levaram ao desastre ambiental. Questiona-se como uma barragem, devidamente licenciada, pôde gerar tamanho desastre. As principais suspeitas são o acúmulo de rejeitos acima da capacidade do reservatório e mudanças na estrutura para ampliação das barragens. Em entrevista à Folha no fim de dezembro de 2015, Ricardo Vescivi, até então presidente da Samarco, não confirmou a informação divulgada pelo coordenador de meio ambiente da empresa, Euzimar Rosado, de que as barragens Fundão e Germano passavam por obras de unificação. Vescivi disse, porém, que estariam sendo realizados somente alteamentos; elevações nas estruturas das barragens. Outro fator agravante, de acordo com o laudo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), 28% dos rejeitos de Fundão foram depositados pela Vale, a qual diz ter um contrato com a Samarco desde 1989, época em que a estrutura ainda não estava licenciada.

    A Samarco foi considerada a principal responsável pelo desastre e recebeu diversas multas dos órgãos ambientais e Ministérios Públicos dos estados de Minas Gerais e Espirito Santo. Porém, ela foi a única culpada? Como se deu o processo de fiscalização e prevenção de acidentes nas barragens? E agora, depois da lama derramada, quais são as medidas de remediação?

    O que se vê no Brasil é a negligência com questões ambientais presente nas diversas organizações e em todas as fases de um projeto. Nós do Grupo Index acreditamos em mudanças nesse cenário com o desenvolvimento de trabalhos integrados e multidisciplinares, relacionando os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais para o crescimento sustentável do país, para que tanto a riqueza como os impactos sejam equitativos à sociedade.